Especiarias: das disputas militares à sua mesa
Os temperos estão presentes em quase todas as receitas conhecidas, mas é em seu comércio que encontramos fatos bastante curiosos e importantes que influenciaram a história do mundo durante séculos.
Não há uma boa receita sem a presença de ervas, temperos e condimentos. O que seria de uma boa carne sem sal? E um sorbet de manga que, com um toque de cardamomo, fica ótimo com algumas simples sementinhas? Esses “despertadores” de sabor que você coloca no seu carrinho de supermercado já foram motivos de guerras, levantes, explorações heróicas e grandes transformações econômicas nas nações mais poderosas da antiguidade.
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Durante muitos séculos os temperos ou as especiarias foram símbolos de riqueza e cobiça em diferentes partes do mundo. Em muitos casos, eram destaques nos testamentos e chamados de “ouro aromático”, por ter valor equivalente ao ouro. Cidades como Veneza, Gênova e Lisboa tornaram-se poderosas potências econômicas mundiais por explorarem seu comércio.
Do outro lado do mundo, Ghandi utilizou a força do sal para mudar o cenário político e econômico da Índia com a Marcha do Sal. O líder pacifista indiano protestou contra o monopólio de exploração dos ingleses em seu país. |
Nem sempre o sal foi um ingrediente barato. Ele era utilizado como moeda em transações comerciais ou até como pagamento do soldo de legionários romanos, termo que muitos apontam como origem de seu nome em latim. Ele também é apontado como uma das causas da Revolução Francesa, cujos altos impostos provocaram ainda mais a plebe. As especiarias também foram responsáveis pelas grandes explorações européias, que custaram muitas vidas e tesouros. Foi em busca das prosaicas pimentas do reino, noz moscada, canela e cravo, que os europeus chegaram até a América.
Lutas e crises diplomáticas a parte, certas especiarias podem traduzir culturas. Uma erva ou tempero podem tornar-se ícone de um país. A Índia, por exemplo, é associada pelo uso do curry. Já o México é conhecido pelas suas pimentas ou “chile”. Muitos desconhecem que o capsicum (nome científico da família das pimentas, condimento característico na culinária tailandesa, vietnamita, chinesa e indiana) pode ter chego à Ásia por meio de exploradores chineses que aportaram na América Central e México antes dos europeus.
As ervas aromáticas européias não fogem a regra. A manjerona, o coentro, o louro, alecrim, tomilho ou as de origem asiática como a cebolinha verde, o incrível alho, estragão, o gengibre, manjericão viajaram oceanos para encantar as mais diferentes culturas. A manteiga de Karité, feita a base de dendê, usado na culinária africana, tornou-se o azeite de dendê no Brasil. O urucum, descoberto e utilizado por índios tupi-guarani, também é utilizado na gastronomia brasileira e encanta os estrangeiros que aqui aportam. Pense nisso na próxima vez que estiver temperando um franguinho.
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